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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ocupa USP: Esclarecendo o caso USP (pra quem vê de fora)

Somos alunos da ECA-USP e visto a falta de imparcialidade da mídia com referência aos últimos acontecimentos ocorridos dentro da Universidade de São Paulo, cremos ser importante divulgar o cenário real do que realmente se passa na USP. Alguns fatos importantes que gostaríamos de mostrar:

- O incidente do dia 27/10/11, quando 3 alunos foram pegos portando maconha, NÃO foi o ponto de partida das reivindicações estudantis. Aquele foi o estopim para insatisfações já existentes.

- Portanto, gostaríamos de explicitar que a legalização da maconha, seja dentro da Cidade Universitária ou em qualquer espaço público, não é uma reivindicação estudantil. Alguns grupos até estão discutindo essa questão, mas ela NÃO entra na pauta de discussões que estamos tendo na USP.

- Os alunos da USP NÃO são uma unidade. Dentro da Universidade há diversas unidades (FFLCH, FEA, Poli, etc.) e, dentro de cada unidade, grupos com diferentes opiniões. Por isso não se deve generalizar atitudes de minorias para uma universidade inteira. O que estamos fazendo, isso no geral, é sim discutir a situação atual em que se encontra a Universidade.

- O Movimento Estudantil, responsável pelos eventos recentes, NÃO é uma organização e tampouco possui membros fixos. Cada ação é deliberada em assembleia por alunos cuja presença é facultativa. O que há é uma liderança desse movimento, composta principalmente por membros do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e dos CAs (Centros Acadêmicos) de cada unidade. Alguns são ligados a partidos políticos, outros não.

- Portanto, os meios pelos quais o Movimento Estudantil se mostra (invasões, pixações, etc.) não são decisão de maiorias e, portanto, são passíveis de reprovação. Seus fins (ou seja, os pontos reais que são discutidos), no entanto, têm adesão muito maior, com 3000 alunos na assembleia do dia 08/11.

- Apesar de reprovar os meio usados pelo Movimento Estudantil (invasões, depredação), não podemos desligitimar as reivindicações feitas por esses 3000 alunos. Os fatos não podem ser resumidos a uma atitude de uma parcela muito pequena dos universitários.

Sabendo do que esse movimento NÃO se trata, seguem suas reinvidicações: 

DISCUSSÃO DO CONVÊNIO PM-USP / MODELOS DE SEGURANÇA NA USP

A reivindicação estudantil não é: PM FORA DO CAMPUS, mas antes SEGURANÇA DENTRO DO CAMPUS. Os estudantes crêem na relação dessas reivindicações por três motivos:

A PM não é o melhor instrumento para aumentar a segurança, pois a falta de segurança da Cidade Universitária se deve, entre outros fatores, a um planejamento urbanístico antiquado, gerando grandes vazios. Iluminação apropriada, política preventiva de segurança e abertura do campus à populacão (gerando maior circulação de pessoas) seriam mais efetivas. Mas, acima de tudo...

A Guarda Universitária deve ser responsável pela segurança da universidade. Essa guarda já existe, mas está completamente sucateada. Falta contingente, treinamento, equipamento e uma legislação amparando sua atuação. Seria muito mais razoável aprimorá-la a permitir a PM no campus, principalmente porque...

A PM é instrumento de poder do Estado de São Paulo sobre a USP, que é uma autarquia e, como tal, deveria ter autonomia administrativa. O conceito de Universidade pressupõe a supremacia da ciência, sem submissão a interesses políticos e econômicos. A eleição indireta para reitor, com seleção pessoal por parte do governador do Estado, ilustra essa submissão. O atual reitor João Grandino Rodas, por exemplo, era homem forte do governo Serra antes de assumir o cargo.

POSTURA MAIS TRANSPARENTE DO REITOR RODAS / FIM DA PERSEGUIÇÃO AOS ALUNOS

Antes de tudo, independentemente de questões ideológicas, Rodas está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo por corrupção, sob acusação de envolvimento em escândalos como nomeação a cargos públicos sem concurso (inclusive do filho de Suely Vilela, reitora anterior a Rodas), criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto sem previsão orçamentária e autorização legal, e outros.

No mais, suas decisões são contrárias à autonomia administrativa que é direito de toda universidade. Depois de declarar-se a favor da privatização da universidade pública, suspendeu salários em ocasiões de greve, anunciou a demissão em massa de 270 funcionários e, principalmente, moveu processos contra alunos e funcionários envolvidos em protestos políticos.

Rodas, em suma: foi eleito indiretamente, faz uma gestão corrupta e destrói a autonomia universitária.

Você pode estar pensando…

MAS E O ALUNO MORTO NO ESTACIONAMENTO DA FEA-USP, ENTRE OUTRAS OCORRÊNCIAS?
Sobre o caso específico, a PM fazia blitz dentro da Cidade Universitária na noite do assassinato. Ainda é bom lembrar que a presença da PM já vinha se intensificando desde sua primeira entrada na USP, em Junho/2009 (entrada permitida por Rodas, então braço-direito de Serra). Mesmo assim, ela não alterou o número de ocorrências nesse período comparado com o período anterior a 2009. Ao contrário, iniciou um policiamento ostensivo, regularmente enquadrando alunos, mesmo em unidades nas quais mais estudantes apoiam sua presença, como Poli e FEA.

MAS E A DIMINUIÇÃO DE 60% NA CRIMINALIDADE APÓS O CONVÊNIO USP-PM?
São dados corretos. Porém a estatística mostra que esta variação não está fora da variação anual na taxa de ocorrências dentro do campus ( http://bit.ly/sXlp0U ). A PM, portanto, não causou diminuição real da criminalidade na USP antes ou depois do convênio. Lembre-se: ela já estava presente no início do ano, quando a criminalidade disparou.

MAS, AFINAL, PARA QUE SERVE A TAL AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA?
Serve para que a Universidade possa cumprir suas funções da melhor maneira possível. De maneira simplista, são elas:
- Melhorar a sociedade com pesquisas científicas, sem depender de retorno financeiro imediato. 
- Formar cidadãos com um verdadeiro senso crítico, pois mera especialização profissional é papel de cursos técnicos e de tecnologia.

Importante: autonomia universitária total não existe. O dinheiro vem sim do Governo, do contribuinte, porém a autonomia universitária não serve para tirar responsabilidades da Universidade, mas sim para que ela possa cumprir essas responsabilidades melhor.

COMO ISSO ME AFETA? POR QUE EU DEVERIA APOIA-LOS?
As lutas que estão ocorrendo na USP são localizadas, mas tratam de temas GLOBAIS. São duas bandeiras: SEGURANÇA e CORRUPÇÃO, e acreditamos que opiniões sobre elas não sejam tão divergentes. Alguém apoia a corrupção? Alguem é contra segurança? 

O que você acha mais sensato:
- Rechaçar reivindicações justas por conta de depredações e atos reprováveis de uma minoria, ou;
- Aderir a essas mesmas reivindicações, propondo ações mais efetivas?

Você tem a liberdade de escolher, contra-argumentar ou mesmo ignorar.
Mas lembre-se de que liberdade só existe com esclarecimento.
Esperamos ter contribuído para isso.

Se você se interessa pelo assunto, pode começar lendo este depoimento: http://on.fb.me/szJwJt 

Bárbara Doro Zachi
Jannerson Xavier Borges

PS: Já que a desconfiança é com a mídia, evitamos linkar material de qualquer veículo.

Ocupa USP: História em video

Antônio Cândido e Marilena Chauí em ato de greve 16 de junho de 2009.


Antonio Candido na USP - Ato de greve 16 de junho de 2009 (1 de 2)

Antonio Candido na USP - Ato de greve 16 de junho de 2009 (2 de 2)


Marilena Chauí na USP - Ato de greve 16 de junho de 2009 (1 de 2)

Marilena Chauí na USP - Ato de greve 16 de junho de 2009 (2 de 2)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Ocupa USP: GREVE GERAL DISCENTE NA USP!


Na maior assembleia dos últimos anos os estudantes da USP decidiram por greve geral durante a noite do dia 8 de novembro. Em decisão que demonstra solidariedade aos supostos 'maconheiros' 'sem causa' que foram presos pela tropa de choque. As minorias aventureiras estão sozinhas contra a massa universitária?
Confira a ata da assembleia:

A assembleia deliberou os seguintes encaminhamentos:
  1. Greve imediata
  2. Eixos
    1. Retirada de todos os processos movidos contra estudantes por motivos políticos!
    2. Fora PM! Pelo fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública.
    3. Liberdade aos presos e nenhuma punição administrativa ou criminal!
    4. Fora Rodas!
    5. Outro projeto de segurança na USP! Que a reitoria se responsabilize por:
      1. Plano de iluminação no campus;
      2. Política preventiva de segurança;
      3. Abertura do campus à população para que tenhamos maior circulação de pessoas;
      4. Abertura de concurso público para outra guarda universitária, que tenha treinamento para prevenção dos problemas de segurança e com efetivo feminino para a segurança da mulher;
      5. Mais circulares;
      6. Circular até o Metrô Butantã.
  3. Atividades
    1. Ato nesta quinta-feira (10/11) às 14:00 no Largo São Francisco. Concentração: 12:00.
    2. Próxima Assembleia Geral dos Estudantes: quinta-feira (10/11) às 18:00 no Largo São Francisco.
  4. Comando de greve
    1. Será formado por delegados eleitos nas assembleias de cursos;
    2. Um delegado a cada vinte presentes na assembleia


Confira fotos: Portal Uol
Tema clássico espanhol sobre greve geral. Nas fotos a luta dos trabalhadores de estaleiro em Barcelona contra privatização.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

GREVE EM RONDÔNIA -- Pedido de notas de apoio e solidariedade

 Postado por Allison Diôni no facebook.


Colegas das Ciências Sociais do Norte do Brasil, queria lhes pedir uma grande ajuda.

Sou estudante da UNIR (Federal de Rondônia) e quarta-feira passada foi deflagrada uma greve pelos estudantes e professores daqui da Universidade.

As reivindicações da greve referem-se essencialmente à questão da infra-estrutura da Universidade, que está precária, o que nos remete ao problema da implantação do REUNI nas Universidades Federais. Como se não bastasse isso, ainda temos sérios problemas de corrupção nas esferas administrativas superiores da Universidade.

A greve está tendo grande repercussão aqui no Estado de Rondônia, mas temos tido certas dificuldades em expandir as informações que lhe referem ao restante do país.

 Nisso, gostaria de pedir a todos os colegas da área que articulem-se junto aos seus CA's, DA's e DCE's no sentido do envio de notas de apoio e solidariedade ao movimento que estamos desenvolvendo. Além disso, peço que, caso possível articulem estes documentos junto a entidades de representação estudantil no restante do país com as quais eventualmente venham a ter contato.

Para o caso de dúvidas, peço que retornem o contato.

Segue o blog da greve: http://grevenaunir.blogspot.com/

E o site do DCE/UNIR: http://www.dceunir.blogspot.com/

Em ambos podem ser encontradas informações sobre a greve

Quanto às notas, deverão ser enviadas ao e-mail dceunir@yahoo.com.br

Saudações de luta!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Coletivo Paralisar para Mobilizar - UFRB


No dia 1º de setembro de 2011, estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Assembleia Geral, deliberaram por Paralisar para Mobilizar.
O indicativo de paralisação concretizou-se a partir da percepção de que não se podia esperar mais para lutar pelas melhorias na Universidade. Da pauta da ocupação de 2008, apenas 20% das reivindicações foram atendidas. Desde então, diálogos têm sido estabelecidos com a Reitoria sem retorno algum, protelando assim a execução de reinvindicações básicas dos estudantes, a exemplo da construção de Restaurantes Universitários, Residências, ampliação de bolsas, aumento do acervo bibliográfico, dentre outras.
Em 2011, com o diagnóstico das carências, verificou-se uma situação limite: há Cursos que não possuem a mínima estrutura material para desenvolver as atividades práticas do seu currículo! Como prosseguir com as aulas? Qual tipo de aula se propõe uma Universidade que não garante as condições elementares para o Ensino?

Matéria Completa: Centro de Mídia Independente

Link: Ocupação UFAL 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quem tem medo de Greve na UFAM?



Não é de hoje que o fantasma da greve ronda os corredores da UFAM. Apesar de ser um dos mais fortes instrumentos da luta dos trabalhadores, causa arrepios nos estudantes. Funcionários preguiçosos querendo aumento, ideia que predomina entre os desavisados. Greve para quem?
Parte significativa dos técnicos administrativos está em greve de fato. A Associação de Docentes da UFAM (ADUA), em Assembléia Geral, decidiu manter o indicativo de greve pelos próximos dias. As duas categorias estão concentradas na mobilização de suas bases.
Esse movimento está longe de ser local, crescendo em mais de 50 universidades de todo país. Pelo menos duas reitorias estão ocupadas no país. As discussões estão longe da simples luta salarial. Medidas polêmicas como a Medida Provisória (MP)520/2010 e MP 525, apenas colocam em evidência o desmonte do ensino público. A mobilização dos trabalhadores da educação procura defender a educação pública e de qualidade no ensino superior. Nos últimos anos a precarização do ensino tem acelerado. O REUNI pode ser apenas uma dessas facetas. 
No próprio Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), alguns cursos novos sofrem com falta de professores. Nos últimos anos, a própria ADUA, foi uma das únicas entidades a discutir o crescente movimento de privatização da universidades públicas e os impactos do REUNI. Na parte estudantil a desmobilização encontra-se em estado crítico.
As últimas gestões do Diretório Central dos Estudantes (DCE) eram formadas majoritariamente por militantes de partidos políticos alinhados ao Governo Federal. Gestões abandonadas ainda são lembradas pelos mais atentos. Enquanto faltam salas para abrigar os C.A.´s do ICHL, estão sobrando salas comerciais no novo Centro de Convivência, que ainda está em construção. Episódio muito pouco esclarecido e divulgado no meio acadêmico. No momento em que ocorreu o XX Encontro de Pesquisa
Educacional do Norte e Nordeste, não temos nem banheiros limpos para apresentar. Falta estrutura básica, até mesmo para se tomar banho num dia de muito calor.
E quem sabe que deveria ter jantar no Restaurante Universitário? A burocracia e a desinformação são
mecanismos de poder sabiamente utilizados para ganhos pessoais. Muita gente ainda confunde os recursos públicos com as contas pessoais. E nesse ponto a UFAM ainda tem muito a aprender. Estudantes, técnicos e professores, formam a estrutura básica da Universidade. Fazendo parte do mesmo universo, os problemas de um afetam todos os outros. Trocar experiências e informações pode começar a mudar o quadro das coisas.

Dinâmica da Ocupação da UFSM:
Ocupação da Reitoria: