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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

NCPAM: NOSSAS HOMENAGENS A CIDADE DE MANAUS

"VAMOS MUDAR A REALIDADE ESTUDANTES!"
Beleza fascinante,
A tua história exalta
A força da tua gente.
Cidade de homens,
Mulheres e crianças,
Entre rios e florestas,
No coração da Amazônia.
Não é só minha, nem tua,
É nossa.

Ademir Ramos

A Cidade tem sido para os homens o cantinho do mundo. Nesse território, os homens passaram a construir espaços e instituir relações de forma estruturantes capazes de definir sua cultura e identidade, fazendo-se reconhecer por seus valores e práticas circunscritos e determinados historicamente. A organização política das Cidades modernas centradas no antagonismo entre o capital e trabalho tem gerado perversa desigualdade social, promotora de exclusão e estigmatização entre as pessoas, que por sua vez, integram-se de modo diferenciados à sociedade urbana.

Em “A situação da classe trabalhadora na Inglaterra”, Engels constata que “todas as grandes cidades possuem um ou vários ‘bairros de má reputação’ – onde se concentra a classe operária. É certo que é freqüente a pobreza morar em vielas escondidas, muito perto dos palácios dos ricos, mas, em geral designaram-lhe um lugar à parte, onde ao abrigo dos olhares das classes mais felizes, tem de se safar sozinha, melhor ou pior”.

A nossa Manaus não é diferente, seus governantes pouco ou nada fizeram para minimizar a desigualdade e muito menos combater a alienação cultural implantada nesse território à margem esquerda do rio Negro circundado pelo verde da floresta. Fundada a mando do capitão Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, então governador do Maranhão e Grão-Pará, em 1669, data em que se inicia a construção da Fortaleza de São José do Rio Negro sob a lógica geoestratégica dos colonizadores
portugueses.

Mas, “a importância de sua situação na confluência dos grandes rios, que dispõem as três divisões naturais da Comarca, e a constitui o entreposto do Solimões e Rio Negro, proporcionou-lhe pompto engrandecimento, que cresceu de prompto com a sabia determinação do Governador da Capitania, Manoel da Gama Lobo d’Almada, de transladar para este lugar a Capitania, em 1790, que até então fora em Barcelos”, assim registra, em seu “Dicionário Topográfico, Histórico, Descritivo da Comarca do Alto Amazonas”, de 1852, Lourenço da Silva Araújo e Amazonas.

Registra-se também, entre tantos golpes tramados contra o Governador Lobo d’Almada e, indiretamente contra o povo da Fortaleza, popularmente chamada de Lugar da Barra do Rio Negro, promovidos pelo Governador D. Francisco de Souza Coutinho, o derradeiro golpr foi à ordem lavrada na Carta Régia de 2 de agosto de 1798, para transladar a sede da Capitania a Barcelos, o que motivou a decadência do Lugar da Barra.

Passado os anos, com a explosão da Cabanagem (1835 a 1839) instaura-se definitivamente na região uma instabilidade econômica perturbando toda ordem imperial na Amazônia. Nessa conjuntura, em 08 de abril de 1839, o general português Francisco José de Souza Soares Andréia, em passagem de cargo ao seu sucessor, o juiz de direito, Bernardo de Souza Franco, afirmara que: “nestá província está restabelecida à ordem depois de três anos de continuados esforços e fadigas”.

No entanto, segundo o sociólogo Di Paolo, em sua obra “Cabanagem: a revolução popular da Amazônia”, registra-se também, o alerta do truculento general Andréia, sobre algumas exceções: “no Amazonas e seus distritos, só se pode conservar a paz com as armas na mão, particularmente no Rio Madeira, onde os índios não estão completamente obedientes”.

Sem muita escolha, o Presidente da Província do Pará Souza Franco solicita do Governo Imperial “anistia excepcional” para resgatar a legalidade. Esta, por sua vez, foi concedida por meio do decreto de 4 de novembro de 1839, o que levou vários grupos cabanos a depor as armas, como fizeram os índios do Alto Amazonas, que optaram pelo fim da hostilidade.

Com o fim da cabanagem, a Província timidamente reinicia um novo ordenamento institucional baixando novos atos, como a elevação de Manaus à categoria de cidade nomeada como Cidade de nossa Senhora da Conceição da Barra do Rio Negro, através da lei nº 145, de 24 de outubro de 1848.

Em seu aniversário exige-se respeito dos governantes quanto ao tratamento dado à Cidade e ao seu povo, na perspectiva de se construir efetivamente uma relação socialmente justa e culturalmente sustentável. Nesta data, 24 de outubro parabenizamos a nossa querida Manaus pelo seu aniversário natalino, para esse dia, seja você também o nosso convidado a participar da carreata pela homologação do Encontro das Águas. 

Link: NCPAM

domingo, 16 de outubro de 2011

Um pouco da história do movimento estudantil alternativo


*revisado: 20:21 - 16/09
"Ninguém nos representa!"

Em 2009 entrou em vigor a emenda 010/2008 que previa a redução dos passes estudantis de 120 para 44, bem como o fim do pagamento da chamada “tarifa social” aos domingos. A data escolhida pelo poder público foi o dia do trabalhador 1 de maio. Em resposta aos desmandos da administração pública influenciada pelos "tubarões" do transporte, seu deu a criação do Movimento Meia-Passagem (MMP) em assembleias de estudantes da UFAM. Naquele momento o sentimento de rebelião estava latente entre os universitários, havendo um forte senso de solidariedade e ajuda mútua entre os estudantes que estavam se organizando.

O motivo para o surgimento do MMP pode ser entendido pela necessidade de organização coletiva. Sem dúvida, o descrédito naquele momento, em relação aos líderes oficiais dos estudantes (DCE-UFAM, UNE e UEE), impulsionou a criação de uma referência onde se evitaria a noção de liderança e construção permanente do movimento em público, sendo uma resposta à paralisia que os estudantes enfrentavam ao deixarem decisões importantes nas mãos de poucos e suas comissões de negociação.




O MMP contou com apoio de todos os lados. Destacamos na UFAM o apoio da Associação de Docentes da Universidade do Amazonas (ADUA) e do Núcleo de Ciência Política do Amazonas (NCPAM). Possibilidades que permitiram distribuição do informativo PASSE A FRENTE e diversos debates na UFAM com políticos, como José Ricardo (PT) que denunciava as falcatruas dos poderosos contra a população. Duas "sexta-cultural", chamadas de Luau Levante e Lute, foram realizadas pelo MMP no campo da antiga Faculdade de Educação Física (FEF), hoje FEFF pela criação do curso de Fisioterapia. Cultural pois além das apresentações musicais ao vivo, manifestações  teatrais e poéticas, além de pirofagia, foram constantes. O dinheiro arrecadado permitiu a compra de um novo megafone e dois instrumentos de percussão. Mais de 15 atos públicos em diferentes pontos da cidade: Centro, Av. General Rodrigo Ótavio, Câmara Municipal de Manaus, Prefeitura de Manaus, Djalma Batista, etc.

O MMP procurou mobilizar as classes trabalhadoras, bem como secundaristas e outros setores da população manauara. Encontramos a solidariedade nas ruas como quando pessoas ofereciam águas aos estudantes em passeatas. Uma ruptura aconteceu, para quem não lembra no dia 06/05/2009, mais de 10 pontos da cidade tiveram ruas fechadas, algumas com barricadas, em protestos que estavam para além da luta por um transporte digno e de qualidade.

Tentativas para sabotar o movimento não faltaram. Nossos cartazes eram arrancados na UFAM pelos que não concordavam com nossa autonomia. Piadas e fofocas eram espalhadas para denegrir a imagem do movimento. Tentativas que apenas aumentaram a confiança na organização autônoma dos estudantes. Quem lembra daquela entrevista do prefeito de Manaus? "Os estudantes estão sendo manipulados", meia verdade para os estudantes da UFAM.

A luta continua! Solidariedade entre nós, guerra aos poderosos!

                           Foto: Manifestação no dia 09 de julho, terminal 1 ocupado!
                              Foto: Manifestação dia 04/05/2009 próximo da bola do coroado.
                       Foto: Mural feito pelo MMP no Mini-Campus. Para além do ICHL.

                         Foto: Cartazes no ICHL.

                       Confronto na CMM quando da aprovação do acordão feito com o prefeito e as supostas "liderenças" estudantis.



alguns links: Ncpam.com.br Afinsophia